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  • Revista Explosão in Samba

Coração de bamba


por Aydano André Motta

O batuque dos negros arrancados do seu lugar, obrigados a viver sob opressão dos brancos numa longíncua terra d’além mar, ecoa no ritmo da resistência.

Da obstinação de um povo nasceu o samba, que transformou o Rio de Janeiro numa cidade única no planeta. Vive há um século – e para sempre – na entrega apaixonada dos bambas, que carregam o ritmo no coração, a magia na alma.

Dá para ver na Sapucaí, o palco iluminado da folia. Dá para sentir à vera, na entrega inegociável de quem faz a festa mais sincera, no lusco fusco da Intendente Magalhães, a estrada que pavimenta a festa do amor gratuito, desinteressado, puro. Do sorriso da passista ao bater do ritmista, do girar da porta-bandeira ao cantar desarmado do componente, por ali só existe amor ao paticumbum.

Dedicação serve de enredo ano sim, ano também às escolas que fazem seu espetáculo longe de câmeras e holofotes. O Carnaval mais legítimo da capital do samba vence dramáticas limitações financeiras, falta de espaço, ausência de logística, desatenção (criminosa) dos homens públicos e sai pela rua a cantar.

As primas ricas da Passarela no Centro carioca têm muito a aprender com o espetáculo da Intendente. Por lá, passa o povo que se entrega para valer a ofegante epidemia chamada Carnaval.

A explosão que, uma vez vivida, não se esquece. Dura para sempre – ainda bem.


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