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  • Revista EiS

Samba, talento e superação! De menina pobre de Niterói, Janaína Captain, hoje


Foto: Martin Hafner - Festival dos Africanos na Áustria

Filha de Dona Vera Lúcia, nascida em Pendotiba, Niterói, Rj, Janaína Ribeiro da Silva, tem infância muito humilde, passa um tempo estudando em colégio interno, aonde conhece a dança, música, o teatro, esporte e outras artes; entra para o mundo do samba e desfila como destaque, passista, comissão de frente e rainha de bateria, em várias escolas de samba. Recebe uma proposta para trabalhar na Europa, com muita coragem e vontade de vencer na vida, aceita o convite e conhece por lá, o preconceito, descriminação e tantas outras dificuldades, mas não desiste, insiste, batalha, trabalha e se torna uma brasileira de sucesso na Áustria. Conheça um pouco dessa bela história de decepções, conquistas, superação, dessa mulher que ganhou a Europa e se tornou conhecida internacionalmente, principalmente, pelo seu trabalho como treinadora de esportes, bailarina e atriz. "Muito prazer, Janaína Captain"

EiS - Nos conta como foi a sua infância em Pendotiba, bairro de Niterói no Rio de Janeiro.

Janaína - Sou de uma família muito humilde, musical e bastante rígida. Estudei em escolas públicas de minha cidade e ainda bem novinha minha família resolveu colocar a mim e minha irmã em um colégio interno, preocupada com os rumos de nossa educação. Lá tive aulas de canto, dança, teatro, esportes e artes em geral, que me ajudou muito na minha vida artística e na minha educação corporal.

EiS - Como começou a sua história de vida com as escolas de samba?

Janaína - Quando retornei à Niterói, oito anos depois de estar no colégio interno, desfilei por várias escolas. Fui passista na Unidos da Tijuca, Destaque na Imperatriz Leopoldinense, integrei a comissão de frente do acadêmicos de Santa Cruz, bateria da Unidos do Viradouro, entre outras.

EiS - Como surgiu o convite para ir para a Europa?

Imagem : Centro de dança Jaime Arôxa

Janaína - Eu estudei dança de salão no Brasil e dava aula em Copacabana, quando uma das minhas alunas me convidou para trabalhar em sua escola de dança na Eslováquia. Eu aceitei o convite e fui para dar aula de samba e dança de salão.

EiS - Foi difícil a adaptação na Europa?

Janaína - No começo foi muito difícil, eu não estava acostumada com a baixa temperatura, não a conhecia a cultura e nem o idioma e isso me prejudicou muito quando cheguei.

EiS - Você sofreu algum tipo de preconceito?

Janaína - O estrangeiro sempre sofre e comigo não foi diferente. Assim que cheguei, na minha primeira aula, muita gente não quis entrar na academia, quando me viu; achavam que eu era Africana e dei aula para apenas sete alunos. Em uma outra ocasião, eu fui colocada para fora do metrô, mesmo tendo comprado o bilhete; as coisas só passaram a melhorar quando passei a falar o mesmo idioma que eles e assim podia argumentar quando algo acontecia.

EiS - Você pensou em retornar para o Brasil?

Janaína - Acho que todo estrangeiro no começo pensa em voltar para o seu país, mas acabam aguentando a saudade e a dor, pelo único objetivo que é de ajudar a família e poder comprar a casa própria e ter uma boa aposentadoria. Com o tempo nos acostumamos com a ótima qualidade de vida da Europa, com as oportunidades de trabalho e com o sistema político que funciona.

EiS - Você já realizou seus sonhos, já pode ajudar a sua mãe e comprou a sua casa?

Janaína - Já ajudei a minha mãe sim, tenho uma casa no Brasil e consegui comprar meu apartamento na Europa,através de muito trabalho e dedicação nos estudos do idioma; me sinto uma vitoriosa.

Eis - Você pretende voltar à morar no Brasil?

Janaína - Há quatro anos que eu moro na Áustria, estou muito feliz aqui e não sei ainda se voltarei a morar no Brasil. Eu aprendi a ter qualidade de vida e a ser valorizada em minha profissão aqui na Europa. Hoje sou muito mais exigente e pontual, os europeus são extremamente exigentes, quanto a isso.

EiS - O que te levou a morar na Áustria?

Janaína - Vim fazer um trabalho aqui na Áustria e recebi um convite para trabalhar. Aceitei a oportunidade e me estabeleci aqui.

Acima, foto de Janaína na Ópera Wien, em Karplatz, centro de Viena

EiS - Você é casada ou solteira Janaína?

Janaína - Eu fui casada com um Austríaco por 2 anos e meio, aonde passei à me chamar Janaína Ribeiro da Silva Krauskopf. Hoje estou solteira.

EiS - Falando em nome, como surgiu o "Captain"?

Janaína - Captain é porque eu montei uma tropa de elite aqui na Áustria, a tropa da saúde e por conta disso recebi esse apelido.

EiS - Qual trabalho você desenvolve aí na Áustria?

Janaína - Eu atuo como atriz, cantora, bailarina e treinadora de esporte. Fui rainha de bateria de uma escola de samba aqui na Áustria, a Baturim; Participei de festivais de samba na Alemanha, como rainha de bateria também.

Na imagem à esquerda, vocês podem ver Janaína com duas integrantes do grupo Baturim

EiS - Nos conta um pouco dessa sua experiência com os atletas Olímpicos da Áustria, que estão nos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?

Janaína - Houve uma festa de despedida para esses atletas e eu fui contratada para participar; Fui responsável por representar o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro. Durante a festa, nós dançamos e esclarecemos algumas dúvidas dos atletas.

Janaína com atleta paralímpico e repórter da TV Austríaca de esportes

EiS - Você sofreu algum tipo de assédio sexual, por algum desses países que você esteve na Europa?

Janaína - Estive em diversos países e nunca sofri com assédio sexual. Porém a imagem do samba na Áustria não é muito boa. Isso se deve pelo fato de ter chegado muitos brasileiros na Áustria, que nunca trabalharam no Brasil com qualquer tipo de dança. No começo por não conhecerem o idioma e os Europeus pensando que todo brasileiro sabe sambar, contratam essas pessoas e é nesse momento que o sambista de verdade perde o seu valor.

EiS - Qual o recado você daria para os brasileiros que sonham em ir tentar a vida na Europa?

Janaína - A primeira coisa que ele precisa, é aprender o idioma do país e a se informar sobre a sua cultura. Descobrir os pros e contras de estar morando e trabalhando nesse país que escolher para tentar a vida.

EiS - De todos os países que já conheceu, qual você diria que é o melhor para se viver?

Janaína - O nosso Brasil é sem dúvida um dos melhores para se viver, o que estraga é o sistema político; se melhorar o sistema, tudo melhora.

Rainha de bateria da escola de samba Baturim, em Viena

Segue abaixo, mais um pouquinho desse lindo trabalho que Janaína Captain, vem desenvolvendo na Europa:

Entrevistando e traduzindo para outros jornalistas, informações do cantor Ed Motta no festival de jazz de Viena, na Áustria.

Foto: Martin Hafner

Apresentação na rua Schwedenplatz em Viena

Show de samba no hotel em Viena, Áustria.

Apresentação de samba no Restaurante Asian Cuisine em Viena, Áustria.

Show no aniversário do irmão do roqueiro Mick Jagger(Rolling Stones)


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