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  • Revista EiS

A quem interessa as mudanças do Carnaval da Sapucaí para 2017?


O carnaval da Sapucaí em 2017 irá ter consideráveis mudanças estruturais com relação ao ano anterior. Segundo relatos da imprensa, a maioria das mudanças foram sugeridas pela emissora que detém os direitos de transmissão e que gostaria de uma fluidez no desfile, evitando com isso que as escolas parassem constantemente para apresentações aos jurados. No início desse ano, o jornal O Dia conseguiu um vídeo que tinha algumas dessas propostas de alterações (pode ser visto em: https://www.youtube.com/watch?v=6qFkuCfqiZw). Algumas propostas são interessantes, como por exemplo a modernização do sistema de som da avenida e estudar novas possibilidades para a iluminação, entretanto, até este momento não temos notícias de alteração nestes pontos. As modificações que foram discutidas e serão implementadas, a meu ver, são em sua maioria ruins para o espetáculo e erram até mesmo quando pretendem acertar. São estas: - Diminuição do tempo de desfile: O tempo máximo de desfile irá diminuir de 82 para 75 minutos (e assim a TV se comprometeu a passar todos os desfiles ao vivo). Para que isso seja possível, o número máximo de alegorias diminuiu de 7 para 6 (o que é positivo em tempos de crise, diminuindo o abismo que existia entre o número de alegorias das escolas do Grupo Especial e da Série A). O grande erro neste ponto é que com essa diminuição, as escolas também vão diminuir seu quantitativo de componentes (A Mocidade anunciou que vai cortar 1000 componentes - Se este padrão for mantido nas demais escolas, teremos 12000 pessoas que serão expulsas da Sapucaí e passarão a ver desfiles pela TV ou a consumir o Carnaval de outra forma. Ótimo para a TV e péssimo para as escolas de samba). Uma solução para dinamizar mais os desfiles, poderia ser a extinção ou diminuição daqueles “trambolhos alegóricos” que são levados pelas comissões de frente e que acabam fazendo com que a cabeça da escola fique demasiadamente arrastada e que muitas vezes tampam a visão do todo. Uma outra solução, poderia ser a fixação do casal de mestre sala e porta bandeira a frente da bateria, pois assim os dois quesitos poderiam se apresentar ao mesmo tempo em uma só parada (o que já acontece hoje e continuará acontecendo), pois quando o casal vem junto da comissão de frente, ocorrem duas paradas para apresentação. - Criação de um módulo duplo de julgamento – Para também aumentar a fluidez, ocorreu a extinção de um módulo de julgadores (Eram 4 e viram 3), mas a quantidade de julgadores permanece a mesma. Para resolver este problema, no meio da avenida haverá um “módulo duplo”. Com esta nova configuração, este módulo passa a ser mais importantes que os demais e a ter um “peso 2”, visto que caso um mestre sala tome um tombo em sua apresentação, ele perderá nota em 2 julgadores e apenas uma será descartada (nos demais módulos, o tombo pode ser a nota descartada). A criação deste super módulo bate de frente com aquilo que foi dito no momento da extinção do quesito conjunto que foi chamado pejorativamente de super quesito, onde um erro em um módulo poderia ser punido duas vezes. De forma inacreditável, a LIERJ também embarcou na criação deste super módulo, mesmo mantendo o seu tempo de desfile e dizendo que as escolas terão que fazer uma parada obrigatória para apresentação ao público em um ponto mais próximo ao final do seu desfile. - Julgadores titulares e reservas – Uma outra novidade da LIESA é que agora 6 julgadores irão dar as notas por quesito e que no domingo ocorrerá um sorteio para definir os 4 titulares e os 2 reservas que somente terão suas notas válidas caso ocorra algum problema com o titular. A motivação desta alteração é diminuir a possibilidade de manipulação de resultados, mas do modo como está sendo feito, as escolas de segunda já saberão aqueles que são os titulares. Por qual motivo este sorteio não será feito somente na quarta-feira de cinzas? As entidades e as escolas erram ao afastar o folião! Erram ao se submeter aos caprichos de uma emissora de TV. A verba oriunda da TV é importante, mas não pode justificar todo tipo de concessão. O movimento cultural das escolas de samba sobreviveu muito tempo sem apoio da televisão e tenho certeza que continuará independente de estar na TV, mudanças são necessárias, mas nem sempre são bem-vindas. As escolas deveriam se valorizar mais nestas negociações, afinal de contas elas também são muito importantes para a TV. Tanto a transmissão dos desfiles, quanto a apuração, figuram anualmente entre os maiores números da audiência em seus horários de programação.


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