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"Meu maior medo era de perder a perna." Disse Lucia Mello, que está em plena recuperação e


Fotógrafa Lucia Mello - Foto: Revista EiS

EiS - Como surgiu sua paixão pelo carnaval?

Lucia - Paixão sempre existiu, meu pai também sempre foi um apaixonado e eu cheguei a ser rainha de ala e desfilava em blocos daqui de Bonsucesso. Quando conheci meu marido, juntaram as nossas paixões, pois ele também gosta muito.

EiS - Qual a primeira escola que você desfilou?

Lucia - A primeira escola que desfilei foi o Salgueiro, mas foi uma primeira experiência que não gostei.

EiS - Qual a sua escola de samba de coração?

Lucia - Quando eu era pequena, torcia pela Mangueira. Costumo dizer que quando eu não entendia de carnaval torcia para a Mangueira, mas hoje sou Imperatriz doente.

EiS - E como começou essa paixão pela Imperatriz?

Lucia - Em 2005 conheci melhor a Imperatriz, torci para o samba do Guga, fui convidada à desfilar pela harmonia da escola e me apaixonei por aquela família maravilhosa.

EiS - Nessa época você já trabalhava com fotografias?

Lucia - Eu trabalhava com fotografia, mas não em escolas de samba. Foi justamente quando entrei para a Imperatriz que resolvi fazer fotografias para ajudar na divulgação da escola. Nesse mesmo período criei meu site e foi assim que comecei a trabalhar com fotografias nas escolas de samba, desfiles, ensaios e tudo relacionado ao carnaval.

EiS - Quando você começou a fazer cobertura dos desfiles das escolas de samba na Sapucaí?

Lucia - Em 2010.

EiS - Em 2017 acontece o lamentável acidente com o carro do Paraíso do Tuiuti e você foi uma das vítimas. Tudo era mostrado ao vivo pela televisão, como foi a reação de seus familiares?

Lucia - Tenho 4 filhos e 3 deles assistiram pela televisão, apenas uma filha minha que é evangélica, estava em retiro e não viu. Meu filho mais novo saiu de Guaratiba tão rápido, que chegou no hospital antes do meu marido que estava na Sapucaí.

EiS - E seu marido estava perto de você?

Lucia - Meu marido estava trabalhando no setor 9 e tinha saído com os artistas que iam desfilar na Grande Rio e só na volta passou pelo setor 1 para falar comigo, pois não sabia de nada que estava acontecendo. Então chamaram ele e contaram o que tinha acontecido e ele foi para o Souza Aguiar me encontrar.

EiS - Do mundo do samba, quem mais te ajudou nesse período todo?

Lucia - Do mundo do samba, sem duvida nenhuma, Simone Drumond e Tico do Gato.

EiS - Teve alguma surpresa agradável nesse período de enfermidade?

Lucia - Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que todos os dias me visitavam. Até no CTI, era gente o tempo todo. Eu fui ter noção da proporção que tinha tomado tudo aquilo quando o porteiro do Miguel Couto foi lá me visitar e me disse que queria conhecer a Lucia Mello, porque já tinha ficado internado ali até celebridades, mas nunca viu ninguém tão querida assim. E outra grande surpresa foi no dia que acordei e me deparei com o prefeito Marcelo Crivella na minha frente. Ele ainda voltou mais outras duas vezes, podia ter mandado alguém, mas fez questão de ir pessoalmente, acompanhado do secretário de saúde e do diretor do hospital, que por sinal esteve o tempo todo próximo. Só tenho a agradecer toda equipe do Miguel Couto que tão bem me atendeu.

EiS - E teve alguma grande decepção?

Lucia - Minha maior decepção foi com o presidente do Paraíso do Tuiuti que em nenhum momento foi me visitar, nunca procurou saber se eu precisava de uma dipirona que fosse.

EiS - Tem alguma mágoa com a agremiação?

Lucia - De forma alguma, a escola é uma bandeira, um pavilhão, logicamente que teve culpados que para mim foi o presidente da escola e o engenheiro que assinou a liberação daquele carro. Mas meu amor pelo carnaval continua o mesmo.

EiS - A Liesa te deu algum tipo de apoio?

Lucia - O Jorginho Castanheira esteve sempre presente, foi me visitar, aonde me via sempre fez questão de falar comigo.

EiS - Em relação ao trabalho da imprensa, você acredita que poderia ser feito alguma coisa para melhorar as condições de trabalho?

Lucia - Eu fui ano passado para o setor 1, mas só fiquei 10 minutos e não consegui permanecer, então não sei se as mudanças feitas melhoraram alguma coisa, mas acredito que é muita gente espremida ali na pista, com fantasias machucando fotógrafos e outros profissionais. Acredito que deveriam ceder um espaço para a imprensa, aproveitar que o Guanabara está saindo e de repente reservar aquele espaço para a imprensa, mas do jeito que está não dá.

EiS - E como você está vendo a situação do nosso carnaval, essa crise financeira, patrocinadores se retirando?

Lucia - Eu acredito que o que está acontecendo é que o carnaval está perdendo a credibilidade, por exemplo no ano do acidente ninguém desceu, no ano anterior a mesma coisa. No último ano a Grande Rio ia cair e resolveram não rebaixar ninguém, porque se fosse cair apenas o Império Serrano ninguém mexeria no regulamento, tem que valer o que está escrito.

EiS - E porque o público está se afastando dos desfiles?

Lucia - Porque está muito caro, passaram a fazer carnaval só para quem vem de fora. Quem vai não pode levar uma comida, uma bebida e tudo lá dentro é muito caro. O ensaio técnico que era do povão também já acabaram, por isso as pessoas estão se afastando.

EiS - Se fala em escolas gastando mais de 10 milhões em um desfile. Você acredita que daria para fazer um belo desfile bem mais barato?

Lucia - Acredito que poderia fazer por menos da metade desse valor. Com um desfile mais enxuto daria para fazer tudo com o dinheiro da televisão e de patrocínios sem nem precisar de subvenção da prefeitura. O ex prefeito Eduardo Paes foi o melhor prefeito para o carnaval. Ele voltou a colocar o carnaval de rua pra frente, ajudou muito as escolas e deu condições para que elas se tornassem independentes e muitas farão grandes desfiles, agora outras que não souberam administrar bem o seu dinheiro é outra história.

EiS - Você disse que só ficou 10 minutos no setor 1 e foi embora no carnaval passado. Porque não conseguiu ficar?

Lucia - Eu me emocionei e não consegui permanecer.

EiS - Este ano estará trabalhando nos desfiles?

Lucia - Sim, mas ficarei próximo ao segundo recuo da bateria.

EiS - Você chegou a fazer alguma fotografia do carro que te atropelou?

Lucia - Eu fiz a foto do carro sim, mas nunca mais nem a vi e nem nunca publiquei. Eu falo numa boa do acidente, mas não consigo ficar pensando nele, o psicólogo até me explicou que é assim mesmo

EiS - Qual foi seu maior medo durante todo esse período?

Lucia - Meu maior medo era de perder a perna, porque sempre foi dito que se piorasse o meu estado clínico eu teria que amputar a perna. Eu várias vezes sentia falta de ar e fingia que estava bem por medo de perder a minha perna.

EiS - Foram quantas cirurgias na perna?

Lucia - Foram 16 cirurgias, sendo que no osso mesmo foi feita em janeiro do ano passado, por isso acredito que ainda vou precisar de mais um ano de recuperação. Não poderia mexer no osso enquanto a perna estava aberta para não dar nenhuma infecção.


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