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Exclusivo! Mais de 12 milhões de reais são desviados dos cofres públicos no carnaval da Intendente M


Junior Badboy, que era presidente da Acadêmicos do Engenho da Rainha - Foto: Site: Carnaval Ritmo Carioca - Rodrigo Borges

A Revista Explosão In Samba vem recebendo denúncias de desvio de verba pública no carnaval da Intendente Magalhães, onde mais de 12 milhões de Reais teriam sido desviados dos cofres públicos através da Lei Rouanet, em projetos que nunca existiram, nos anos de 2014 a 2016.

A empresa Paufran Projetos culturais Ltda -Me, de propriedade do senhor Paulo Roberto Sypriano, segundo informações, teria sido a responsável pela captação de R$12.204.097,17 para projetos que nunca existiram nas escolas de samba Arranco do Engenho de Dentro, Unidos do Jacarezinho, Tradição, Favo de Acari, Arame de Ricardo, Unidos de Vila Kennedy e Unidos do Cabuçu.

Conversamos com o então Presidente da Unidos de Lucas, Anivaldo Fernandes, que deu a sua versão sobre os fatos ocorridos:

"O Paulo Sypriano fazia a prestação de contas da Unidos de Lucas e outras escolas, por ter acesso aos documentos deve ter feito esses projetos, mas que eu nunca soube de nada. Nós chegamos a tirar umas fotos de fantasias e do barracão em troca de camisas para empurradores de carro. Só em 2016 que ele nos deu 10 mil reais, mas nunca imaginei que esse dinheiro fosse de projeto, pois ele nunca falou nada pra ninguém, eu nunca assinei nada de projeto nenhum. Eu fiquei sabendo que isso estava acontecendo em 2018, quando o atual presidente da Unidos de Lucas, Helinho, que era meu vice presidente na época, me falou dos acontecimentos. O Helinho ficou sabendo, pelo que eu soube, durante uma reunião na Liesb. Eu disse para o Helinho entrar na justiça contra o Sypriano, pois usou de má fé para pegar dinheiro em nome da escola. Eu não tenho contato com o Paulo Sypriano há muito tempo." Finalizou Anivaldo Fernandes

A Unidos de Lucas, através do projeto da empresa Paufran, captou pela Lei Rouanet os valores de 550.000,00 em 2015 e 582.000,00 em 2016, conforme vocês podem ver abaixo:

Fonte: Site oficial dos projetos da Lei Rouanet

A Acadêmicos do Engenho da Rainha também teve projetos aprovados e o presidente na ocasião, Junior Badboy, disse que suas assinaturas para que o projeto fosse aprovado foram falsificadas:

"Eu fiquei sabendo pelos advogados da Liesb, Sandro Avelar e um tal de Douglas, advogado também. Eles me chamaram na Liesb e me apresentaram documentos que diziam que o Sypriano abriu um CNPJ no meu nome, como se eu tivesse um ateliê. Por esse ateliê, recebia pagamentos com valores altos de 50 mil, 70 mil e na época outros presidentes também foram chamados, pois também tinham suas assinaturas falsificadas e recebido verbas, que o Paulo Sypriano nunca repassou para ninguém. O meu nome que foi usado, não da escola e os advogados me disseram que fariam as denúncias para o Sypriano fazer as prestações de contas e dariam queixa na delegacia pela falsificação de assinaturas,só que até hoje não fizeram nada, pelo contrário, fiquei sabendo que eles estiveram lá e extorquiram o Sypriano, dizendo que se ele não desse um valor iam denunciar ele para a polícia e ele seria preso. Disse Junior Badboy.

Uma outra agremiação que teve mais de 1 milhão de reais desviados em 2 anos, foi o Arame de Ricardo. Na ocasião o diretor de carnaval era Serginho Harmonia que se diz indignado ao saber desses possíveis desvios:

"Eu estou indignado com isso, eu mesmo tirei dinheiro do meu bolso para ajudar a colocar o carnaval do Arame de Ricardo na avenida e agora sabendo disso, me dá nojo do carnaval, isso é caso de polícia." Disse Serginho

Segue abaixo os detalhes dos projetos que deveriam ter dado para o Arame de Ricardo o valor de 409.308,00 em 2015 e 700.700,00 em 2016:

Conversamos com algumas pessoas que viveram na pele as dificuldades financeiras de se colocar um carnaval na rua nesse período, enquanto milhões estavam sendo desviados das escolas.

Leandro Valente foi carnavalesco da Tradição de 2015 a 2019 e fala com tristeza sobre esse episódio:

"Não faço a menor ideia desses valores, nunca fui gestor, sempre fui artista, nem tenho conhecimento dessas informações. Nunca tive verba nem para mim, nem para executar o meu trabalho, a única coisa que eu tinha era a vontade e não posso negar o quanto a atual presidente era esforçada comigo lá. Botava a mão na massa. Disse Leandro Valente

A Tradição conseguiu captar mais de 2 milhões de reais através da empresa Paufran Projetos culturais Ltda -Me. Vejam abaixo:

De acordo com a informação do senhor Junior Badboy, em relação a possível existência de um processo contra a Paufran, nossa equipe de jornalismo checou e verificou que dois processos foram abertos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, porém não obtivemos informações detalhadas sobre as conclusões judiciais. Vejam abaixo o número dos dois processos ajuizados pelas escolas de samba que teriam sido lesadas pela empresa Paufran:

A Revista tentou entrar em contato com o escritório da Paufran Projetos Culturais Ltda - Me, mas não obteve sucesso. Os citados na matéria, direta ou indiretamente, poderão ter seu direito de resposta, caso se sintam indevidamente injustiçados ou queiram acrescentar algum fato novo.

Obs.: A foto da capa da matéria foi substituída, para que de nenhuma forma a imagem do casal de mestre sala e porta bandeira que estava junto ao então presidente da Unidos de Lucas, Anivaldo Fernandes, possa sofrer algum tipo de situação desagradável, visto que o casal, Débora Santos e Luan Mackenzie, nada tem a ver com a matéria.


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