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  • Owerlack Júnior

NÃO HÁ TRISTEZA QUE POSSA SUPORTAR TANTA ALEGRIA


Há um século o mundo vivia uma pandemia de proporções iguais a que vivemos agora.

O final da 1º Guerra Mundial coincidiu com a eclosão da pandemia da chamada "gripe espanhola" que foi causadora de diversas baixas entre as tropas que lutavam em solo europeu.

Por aqui chegou pelos navios e já trazendo na conta milhares de mortos pelo mundo. Seu efeito foi devastador.

Vocês podem não acreditar, o Rio de Janeiro de 1918 era uma cidade desesperada e despreparada para enfrentar a doença.

Não tinham médicos, leitos, hospitais, nada. Como diz o grande Ancelmo Góes , "Devia ser horrível viver em uma cidade assim...".

As cenas descritas eram terríveis com pessoas morrendo nas ruas e sendo recolhidas pelos lixeiros, ou os corpos sendo cremados no meio fio, as casas onde haviam doentes tinham panos pretos pendurados, sinalizando que ali necessitavam de ajuda. Um caos, onde morriam 500 pessoas por dia, inclusive um Presidente eleito, Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse. Matou mais, no mundo, que a guerra recém terminada.

Carlos Chagas foi o médico que tomou as rédeas do problema e combateu a doença. Não havia vacina, nem medicamentos.

Eis que no início de 1919, a doença começou a dar sinais de enfraquecimento e a população começou a sair às ruas, coincidindo com o período do carnaval que havia sido proibido pelas autoridades.

A população ignorou a proibição e foi com tudo para a folia. Foi uma redenção, o encontro de quem conseguiu sobreviver depois de ver a morte tão de perto.

Uma marchinha era cantada a plenos pulmões no baile do Clube dos Democráticos, no centro da cidade.

"Não há tristeza que possa,/

Suportar tanta alegria/

Quem não morreu da espanhola,/

Que dela pôde escapar/

Não dá mais tratos a bola/

Toca a rir, toca a brincar."

Foi considerado o mais orgiástico carnaval de todos os tempos, o povo brincou como se não houvesse amanhã. O final de 1919 registra uma explosão de nascimento de crianças, eram os chamados "bebês da gripe".

É essa história que a atual campeã, Unidos do Viradouro levará para a Sapucaí, em algum momento de 2021.

O enredo NÃO HÁ TRISTEZA QUE POSSA SUPORTAR TANTA ALEGRIA dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon pretende fazer uma releitura desse carnaval pós pandemia de 1919, com base no livro " O carnaval da guerra e da gripe" do jornalista e escritor Ruy Castro.

Oxalá, seja também o nosso carnaval da redenção, da vitória sobre a pandemia de agora.

No Radar

E quem está com nova Rainha de Bateria é o Arranco do Engenho de Dentro. Esta semana foi apresentada a linda Lívia Portella, que já reinou na Guerreiros Tricolores e foi Musa na Lins Imperial, em ambas conseguindo o acesso, além de ser Rainha da Torcida Fiel Tricolor do meu Fluminense. Essa Rainha é pé quente.

A Escola presidida por Diná Santos e comandada por Tatiana Santos vem investindo forte para o carnaval de 2021.

Trouxe o experiente João Luiz Ferreira, com passagens pelo próprio Arranco, Império da Tijuca, Acadêmicos de Vigário Geral e Novo Império, para a direção de carnaval e, além disso renovou com Nélio Azevedo na harmonia, Ciganerey como intérprete e Mestre André Cabide na bateria.

No próximo dia 13 de junho, em uma live, teremos o anúncio do seu enredo para o carnaval 2021, dos carnavalescos Júlio Cesar Farias e Walter Guilherme.

É o Arranco chegando forte para 2021 e eu já escuto os seus sinais...


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