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  • Explosão In Samba

Minuto de Silêncio no Mundo do Samba




E o palco iluminado do carnaval viu se apagar uma de suas luzes. Nos deixou Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho da Imperatriz ou Seu Luiz como carinhosa e respeitosamente o tratávamos.

A ida de Luiz Pacheco Drumond para a Imperatriz em 1976, levado por Amaury Jório, é marca de uma época que representa a chegada do poder dos banqueiros do jogo do bicho no controle das Escolas de Samba.

A contravenção já dava sua cara no mundo do samba desde a década de 50, 60 com Natal, patrono da Portela até sua morte em 1975.

Com mais lenda do que dinheiro, Osmar Valença viveu momentos áureos no Salgueiro da década de 60 e metade dos anos 70.

Mais, é a partir da segunda metade dos anos 70, que a cúpula do jogo resolve delimitar o território da Cidade para acabar com as "guerras" e ao mesmo tempo demonstrar seu poder e ostentação através do maior evento da Cidade, o carnaval e as Escolas de Samba.

Anízio, na Beija Flor, Castor de Andrade na Mocidade e Luizinho na Imperatriz serão os novos reis da folia.

As 4 grandes - Portela, Mangueira, Império e Salgueiro - passam a ter companhia na briga por títulos.

A Imperatriz vivia, até então, a luta de obter colocações que lhe mantivesse entre as grandes. Fazia seus ensaios em um terreno a céu aberto, iluminado por gambiarras. Um dia, os donos conseguiram na justiça ordem de reintegração. Começa aí a história de amor entre Luizinho e a Imperatriz. Ele não só compra o terreno, como o doa à Escola e ajuda na obra. A Imperatriz agora é dona da sua casa.

Daí ao primeiro campeonato foi um pulo, a Escola ganhou administração, organização, respeito e claro, dinheiro para ganhar carnaval .

Trouxe profissionais de ponta do mundo do carnaval, ganhou identidade e começa a ganhar desfiles. Em 1980 campeã, em 81 bicampeã. Depois 1989, o tricampeonato de 99, 2000 e 2001 e outro bicampeonato em 94 e 95.

A Imperatriz Leopoldinense tinha seu lugar entre as grandes do carnaval carioca e seu nome não tinha como ser pronunciado sem que se lembrasse do nome de Luiz Pacheco Drumond, seu presidente, patrono, homem forte.

Luizinho presidiu a Imperatriz de 1976 a 1983, depois de 1986 a 1992 e por último de 2007 até nos deixar, semana passada.

Outra de suas paixões, o futebol, também teve sua presença, era Benemérito do Botafogo, clube do coração, onde foi vice de futebol em 1984 e 1990 e diretor de futebol em 2002. Foi fundador da LIESA, membro do Conselho Superior e seu Presidente entre 1998 e 2001.

Luizinho não foi apenas da Imperatriz, foi um homem que jamais se negou a ajudar as coirmãs. Era Grande Benemérito do Império Serrano, a quem sempre ajudou, a despeito de ser concorrente da Imperatriz, assim como ajudava a todos que o procuravam. 

O coração do Seu Luiz era maior que ele. É, quem dera que a vida fosse assim, sonhar, sorrir, cantar, sambar ...

E nunca mais ter fim.

Mas não é.

Descanse em paz e até qualquer hora Seu Luiz.


Owerlack Junior

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