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Serginho Aguiar - compositor e dirigente, hora pedra, hora vidraça

16.07.2016

                                         Foto: Arquivo pessoal

 

Serginho Aguiar fala sobre disputas de samba, como é dirigir carnaval sem subvenção, expectativa para o próximo carnaval e muito mais. Não perca essa entrevista exclusiva para nossa revista

 

 

 

 

 

Eis - Como você vê essa tendência que está acontecendo, de algumas escolas abolirem as disputas de samba e fazer encomenda direta com compositores?

 

Aguiar - Isso começou em São Paulo e aqui no Rio está começando a ganhar corpo em algumas escolas; eu como compositor, acredito que isso afeta um pouco a parte artística do que é a disputa de samba. Acredito que o ideal seria fazer disputas mais dinâmicas, aonde a escola não teria prejuízos com a abertura de suas quadras e os compositores não teriam autos gastos com disputas prolongadas; o lado negativo de se encomendar samba é que dificulta a revelação de novos compositores.

 

EiS - Você já fez samba encomendado, a satisfação de ver o seu samba encomendado na avenida é a mesma de quando o seu samba foi ganho nas disputas?

 

Aguiar - Eu já fiz 3 sambas para Porto Alegre, que foram encomendados; quando fazemos samba enredo e vemos a galera cantar, nos deixa muito feliz e essa dinâmica não muda, só muda a fórmula de escolha.

 

EiS - Você é diretor de carnaval de uma agremiação do grupo E, GRES Império Ricardense, que fez a disputa de samba nos moldes tradicionais, porém numa dinâmica mais rápida; qual o balanço que você faz dessa disputa?

 

Aguiar - Nós demos a liberdade para os compositores representarem os seus sambas, gravados por celular, watzapp, por e-mail e alguns gravados em disputa, porém todos foram parar na mesma panela; convidamos vários amigos para a disputa, não aumentamos os custos e tivemos uma qualidade  de disputa, do mesmo nível de  grupos bem acima do nosso, aonde levamos 5 sambas para as finais.

 

EiS - O samba vencedor, foi da parceria do consagrado compositor Samir Trindade; isso ajuda na avenida?

 

Aguiar - Nós tínhamos 3 opções de samba, um bem técnico, um de muita explosão e o do Samir era o samba que contava a história de uma forma diferente, da visão do navio, com uma cara de anos 80, que me agradou mais para o nosso desfile.

 

EiS - Como você, como diretor de carnaval, consegue colocar a escola na avenida, sem subvenção?

 

Aguiar - É uma mágica....tem os padrinhos, reciclagem, cabeças pensantes da escola, cada um no lugar certo; temos ajuda do político do bairro, do presidente da Portela, Marcos Falcon, enfim, a ajuda das escolas do grupo especial nos ajuda muito.

 

EiS - O que você acha do sábado das campeãs, como o dia para os desfiles do grupo E?

 

Aguiar - É um dia complicado para se colocar as escolas na avenida, pois tem o desfile das campeãs, é uma data após as apurações dos demais grupos, mas por outro lado tem a questão da logística que é muito boa, a organização por parte da ACSN foi excelente, bem organizado, espelhado na organização dos grupos C e D e na organização da LIESB, que foram organizações de primeira.

 

EiS - Fala um pouco do enredo do Império Ricardense, para o carnaval de 2017.

 

Aguiar - Nosso enredo é "A última noite de carnaval" e vamos falar do naufrágio que aconteceu na ilha bela e vamos carnavalizar essa história; pegamos esse gancho em uma matéria que passou no programa do fantástico e a pesar de trágico, falaremos de uma maneira positiva. Temos a chegada do mestre de bateria Ronaldo, que estava na Unidos da Ponte no carnaval passado, ele está fazendo um belo trabalho de escolinha de percussão na nossa quadra às terças-feiras; mantivemos a equipe de carnaval, carro de som....continua o mesmo time que vem dando certo; espero que não tenha nenhum problema no desfile, como foi o que aconteceu com nossa locomotiva descarrilando, até porque não vai ter água e não vai ter como nosso navio naufragar (risos). A grande surpresa e grande trunfo de nossa agremiação, será no quesito alegórico, que estamos com um projeto muito bom; faremos nosso clip do samba logo após as olimpíadas, massificar a divulgação dentro do bairro, até se espelhando no Arame de Ricardo, que tem uma história magnífica e que estamos conseguindo fazer com que o bairro que era conhecido, como bairro do cemitério, agora é conhecido como bairro do samba.

 

EiS - Você não acha que o grupo E não deveria passar a ter um carro alegórico, ao invés de ter apenas um tripé?

 

Aguiar - Com certeza, seria uma maneira de valorizar ainda mais os desfiles de nosso grupo; sair dessa coisa de caixotes e passar a ter carros alegóricos de verdade; Existe uma possibilidade de ter uma subvenção, acredito que nossa liga está correndo atrás disso e temos que deixar de ser vistos como blocos e passarmos a ser enxergados como escolas de samba e para isso é importante que cada agremiação valorize cada vez mais os seus desfiles.

 

 

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