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Paulinho Valença, um campeão com a alma ferida

02.08.2016

                                                               Foto: Arquivo pessoal

 

 

Paulinho Valença fala sobre o episódio do último sábado, aonde o samba de sua parceria foi cortado por indisciplina, segundo nota oficial do GRES Império Serrano, com tristeza, porém firme em suas colocações, sendo claro e direto, sem perder a postura.

 

 

EiS - Agora que os ânimos estão mais calmos e acredito  que você já deve ter conversado com a presidente do Império Serrano, o que de fato aconteceu, para que a sua parceria fosse desclassificada?

 

Paulinho - Estou muito triste, pois independente de quem tenha razão ou não nessa confusão, o simples fato de acatar a denúncia de alguns diretores e decretar a nossa eliminação, sem ao menos nos ouvir e sem levar em conta a nossa história dentro da escola, fica difícil de aceitar.

 

EiS - Quem escolhe o samba campeão hoje em dia, são pessoas competentes para tal?

 

Paulinho - Vou falar pela minha escola, que é o Império Serrano, lá quem escolhe hoje, é um pequeno grupo que tem o poder, porque investe e não abre mão de decidir que vai vencer.

 

EiS - Porque vemos tantos sambas aclamados pela comunidade, sendo derrotados, qual o critério?

 

Paulinho - Acho que hoje em dia são muitos os interesses que envolvem a escolha de um samba e o que menos pesa na decisão final, é a vontade popular, não existe nenhum critério.

 

EiS - Você é um compositor renomado e que está no Império Serrano desde 2005, tendo alcançado grandes vitórias nas disputas de quadra. Como você vê essa tendência de algumas escolas estarem optando por encomendar samba, ao invés de fazer a disputa?

 

Paulinho - Não condeno, a maioria das escolas abandonaram a sua ala de compositores à sua própria sorte; Acho até mais honesto do que fazer o que algumas escolas fazem hoje em dia, encomendam o samba e mesmo assim promovem a disputa para tentar esconder o acordo.

 

EiS - De todas as suas obras, qual você classificaria como a sua maior de todas; aquela que você tem um carinho especial.

 

Paulinho - Isso é difícil para mim, todas tem a sua importância em minha vida, mas vou tentar; em 2011 homenagem à Vinícius de Moraes, samba que nos deu todos os prêmios do carnaval, incluindo o Estandarte de Ouro; 2016 "Silas canta a Serrinha, samba aclamado por toda a comunidade, mas derrotado na final e o samba que seria para o carnaval de 2017, que ter sido desclassificado, foi uma grande violência com a própria escola.

 

EiS - Você acredita que a safra de sambas de hoje em dia é melhor ou pior que os sambas mais antigos?

 

Paulinho - Eu diria que está muito diferente, sou de uma escola que mantém a tradição como forma de existência. Hoje tem aché elogiado como samba enredo, porque retrata o enredo da escola, como se não fosse possível falar do aché em um samba enredo de verdade. Para mim o samba enredo tem o poder de retratar qualquer enredo, mas também entendo que as pessoas que julgam e analisam o samba hoje em dia, tem uma visão diferente da nossa.

 

EiS - Qual mensagem você deixaria para os novos compositores, que estão surgindo?

 

Paulinho - O que posso dizer, é que não desistam, jamais, de fazer o verdadeiro samba enredo.

 

 

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