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COLUNA DO ZÉ PEREIRA: Sinopses, algumas considerações!

05.08.2016

 

Nos últimos anos, tivemos um grande crescimento na cobertura carnavalesca e com isso o público que quer consumir carnaval durante todo o ano tem atualmente uma farta opção para atender as suas necessidades. Tudo que é feito nas escolas de samba, principalmente naquelas que desfilam na Sapucaí, ganharam uma repercussão muito maior. Prova dessa repercussão é a disputa de sambas nas escolas onde por exemplo na década passada dificilmente tínhamos acesso aos concorrentes e hoje temos brigas acaloradas entre os defensores das parcerias. Um outro exemplo dessa repercussão maior são as sinopses dos enredos que a cada ano são mais comentadas pelo público, e é sobre elas que traçarei as próximas linhas.


As sinopses deveriam possuir um único objetivo: apresentar o enredo da escola aos compositores de forma clara e estimular a sua criatividade com a maior liberdade possível. Será que elas estão atingindo estes objetivos? Acredito que em sua maioria não! Mas por qual motivo tenho esta opinião? Listo a seguir alguns pontos que vem me incomodando.


Algumas sinopses cerceiam a criatividade através da utilização o recurso de grifar palavras-chave, que normalmente são compreendidas pelos compositores como obrigatórias na obra (e em muitos casos, realmente são obrigatórias). Como exemplos recentes, temos uma sinopse do grupo de acesso D em 2016 que possuía incríveis 38 expressões grifadas, assim como uma sinopse do grupo especial de 2017 que possui 26 palavras em negrito. Como é possível criar uma verdadeira arte de qualidade com tantas algemas lhe prendendo? Quando vejo sambas com tantos grifos, me pergunto: Por qual motivo o carnavalesco não assume que quer ser o compositor da obra?


Um outro problema, são carnavalescos que decidem aparecer mais do que os compositores nesta fase do pré-carnaval e escrevem sinopses extremamente longas que parecem justificativa de enredo para os jurados ou então recheadas de palavras de difícil entendimento. Não seria melhor apenas dizer o essencial e sinalizar os setores da escola, deixando as demais dúvidas para tirar em momentos específicos com os próprios compositores? Como exemplo dessa verborragia, podemos exemplificar utilizando uma sinopse do grupo de acesso A para 2017 que tem longas 3 páginas, possuindo 7339 caracteres. Apenas como parâmetro, a sinopse que gerou o Kizomba tinha apenas 1991 caracteres e a sinopse de Peguei um Ita no Norte tinha menos de 4 mil.


Também não me agrada as sinopses que são escritas em versos ou com muitas citações de outras obras ao longo do texto, mas isso é um gosto pessoal e por isso não tenho o direito de considerar erro.


Por fim é importante salientar que Carnaval não é matemática e boas sinopses não geram necessariamente bons sambas e vice-versa, mas tenho certeza que ajudam e ajudam muito!

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