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Escolas de samba vinculadas a torcedores de times de futebol é um gol de placa ou uma tremenda bola fora?

02.08.2018

 Arquibancada do sambódromo do Rio de Janeiro - Foto: Redes Sociais

 

O anúncio do surgimento de duas novas agremiações que fazem alusão a times de futebol do Rio de Janeiro, mais especificamente Botafogo e Flamengo, vem causando muita polêmica e dividindo opiniões. Por mais que seus dirigentes garantam que as agremiações não tem nenhum tipo de vínculo com os respectivos clubes de futebol, nem tão pouco com torcidas organizadas, muitos sambistas temem que a rivalidade e violência, que infelizmente costumamos ver nos estádios, possam acontecer também durante os desfiles de escolas de samba. O GRES Botafogo Samba Clube desfilará pelo grupo D, com o mesmo CNPJ que era da Tupy de Brás de Pina, que mais uma vez enrola a bandeira. A outra agremiação será fundada oficialmente no próximo dia 13 de agosto, no Recreio e carrega o nome de Imperadores Rubro-Negros. Vejam o que algumas personalidades de nosso carnaval acham sobre isso:

 

 

" Vejo com cautela.Tenho medo do exemplo de São Paulo, onde os carros alegóricos da Mancha Verde, da Gaviões da Fiel e da Dragões da Real precisam de escolta policial pra chegar no sambódromo, por causa de depredação das torcidas adversárias. A violência das torcidas organizadas virou um problema também no carnaval paulistano. Aqui no Rio, a promessa é que não há ligação com torcidas organizadas, melhor assim, mas será um desafio permanente impedi-las de entrar." - Aydano André Motta, Repórter e um estudioso de nosso carnaval.

 

 

" É Muito difícil falar sobre duas paixões tão grande para boa parte do povo brasileiro, quando elas estão lado a lado, como é o caso do FUTEBOL e CARNAVAL, que Juntos requer uma atenção especial quando o assunto é TORCIDA ORGANIZADA. Não acompanho de perto o Carnaval de São Paulo, porem me parece que isso por lá já funciona bem. Mas, mesmo que se diga que "a escola de samba não tem nenhuma ligação com a torcida organizada do referido time” sabemos que nem sempre na pratica isso funciona assim como dizem. Isso me preocupa um pouco, não vou negar. A questão das duas novas agremiações surgindo no Carnaval do RJ, uma delas carrega um atrativo que talvez esteja incomodando um pouco mais aos puristas e amantes da festa por aqui. Vejo com tristeza que uma agremiação com a história da querida Tupy de Brás de Pina, teve seu nome alterado, seja ele para uma torcida de time de futebol, ou seja, La para o que for, quando se poderia levantar a mesma e seguir com sua história. Quero deixar claro que nada tenho contra e nem a favor da entrada de torcida organizada e ou time de futebol, no carnaval! Eu já vi a avenida vibrar com desfiles como o do GRES Estácio de Sá em homenagem ao glorioso Clube de Regatas Flamengo no CARNAVAL DE 1995 no enredo “UMA VEZ FLAMENGO...” (meu time) e isso foi lindo. E falando nele, Parece que a onda chegou ao Rubro negro. Está surgindo a nova Imperadores Rubro-Negro, inspirada, como saiu em matéria do Ancelmo Gois, no time de futebol Flamengo, mas que parece não ter de fato ligação com o time e com a torcida! Bem... Vamos aguardar e ver que rumo tomará tudo isso. Minha torcida e para que não maculem a história do GRES do RJ." - Cláudio Rocha, Diretor cultural do GRES Estácio de Sá e bibliotecário da CAL.

 

 

 

" Tradicionalmente esse casamento entre futebol e carnaval não é bem sucedido. Embora algumas escolas tenham surgido de times de bairro, como a União da Ilha e a Mocidade, essa história de agremiações oriundas de torcedores não faz muito parte da rotina cultural do Rio, ao contrário de São Paulo. Isso sem contar algo com que temo: que o clima de rivalidade violenta que há entre torcidas de futebol se repita no samba. Isso seria uma enorme perda." - Fred Soares, Repórter, coordenador de programas e amante do carnaval.

 

 

 

"Sou favorável a tudo que possa somar com o nosso carnaval. Se o surgimento dessas escolas vai agregar ao nosso carnaval eu torço que continue surgindo mais e mais escolas. O carnaval e o samba fazem parte de nossa cultura e se essas escolas oriundas de torcedores de times de futebol, surgem para engrandecer o nosso carnaval, eu sou a favor, mas ressaltando que tenham muita responsabilidade, porque carnaval é coisa muito séria." - Rodney, Mestre de bateria da Beija-Flor de Nilópolis.

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