"Na quantidade de funções, Cabana era mais importante que Laíla." Disse Gabriel David em entrevista ao programa Bar Apoteose.

06.02.2019

                              Cabana, grande compositor e um dos fundadores da Beija-Flor de Nilópolis  - Foto: Arquivo

 

Saiba quem é Cabana, que para Gabriel David foi mais importante que Laíla na Beija-Flor

 

Durante entrevista ao programa Bar Apoteose no último dia 4 de fevereiro, Gabriel David, filho do patrono da escola Aniz Abraão David, fez uma declaração que chamou à atenção de muita gente.

 

"Na parte escrita o Laíla não tá, assim como o Cabana não tá, para quem não sabe quem é o Cabana, se o Laíla fazia muitas funções na Beija-Flor, vocês não tem noção do que o Cabana fazia, eu diria até que pela quantidade de funções, ele era mais importante que o Laíla na figura de uma escola e Cabana também não está na parte escrita desse carnaval." Sintetizou Gabriel.

 

 

Gabriel David, que durante a entrevista não fez nenhuma questão de esconder a sua insatisfação com a maneira, que segundo Gabriel, Laíla se relacionava com membros da escola de samba. Para Gabriel, o comportamento de Laíla "Não era bom para a imagem da Beija-Flor." Referência para muita gente do mundo do samba por suas múltiplas funções dentro de uma escola de samba, Laíla seria menos importante dentro das funções de uma escola de samba, que o compositor e fundador da azul e branca nilopolitana, Cabana. Para quem não conhece, Silvestre David da Silva, o Cabana, foi figura marcante não apenas na agremiação que ajudou a fundar, mas também na própria construção do moderno carnaval carioca.

Inscrito na história da agremiação como autor de seu primeiro samba enredo – “Caçador de Esmeraldas” de 1954 – Cabana foi ainda um dos responsáveis pela criação da Beija Flor como escola de samba propriamente dita: foi ele quem registrou, em 1953, o então bloco Associação Carnavalesca Beija Flor na Confederação das Escolas de Samba para o desfile oficial de 1954, no segundo grupo. 

Nascido a 22 de julho de 1924, no bairro da saúde, Silvestre ganhou o apelido de “Cabana” logo que começou a compor em meados dos anos 40. Mesmo não tendo participado da histórica reunião de dezembro de 1948, que criou a Associação Carnavalesca Beija Flor, esteve sempre presente na evolução do então bloco de carnaval.

Cabana amargou em 1964 o reverso da glória. Defendendo  seu “Café, Riqueza do Brasil”, a escola de Nilópolis foi rebaixada para o terceiro grupo, o fundo do poço em sua história. Coincidência ou não, algum tempo depois o compositor se afastaria da Beija Flor, partindo para a Portela.

Nos cinco anos que ficou na Portela, Cabana teve seu primeiro samba gravado (“Tal é o dia do batizado” para o carnaval de 1967) e firmou as duas principais parcerias de sua vida – Martinho da Vila e Norival Reis. Em 1973, afinal, retornou a Nilópolis, onde mais uma vez foi aclamado como figura histórica na escola. 

Cabana compôs seu último samba em 1986, uma parceria com Carlinhos Criação. Vitimado por um enfarte, morreu no dia 18 de dezembro, aos 62 anos. Seu corpo foi velado na quadra da escola, ao som de muito samba, como era seu desejo expresso.

 Esse é um pequeno resumo de quem foi Cabana dentro do carnaval e do samba, obviamente que muito superficial. Quanto ao Laíla, acredito que dispensa comentários e quanto a opinião de Gabriel David sobre quem foi mais importante, cada um que tire as suas próprias conclusões.

 

 

 

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